quinta-feira, maio 21, 2015
O ressentimento
quinta-feira, maio 07, 2015
PARADIGMA
quarta-feira, abril 29, 2015
Verificar pela experiência
A experiência deve confirmar a propriedade dos corpos de maneira que a definição coincida com os fenómenos.
W. Heisenberg, La nature dans la Physique Contemporaine, Gallimard, 1962, p.99
domingo, abril 26, 2015
Não haverá alternativa ao capitalismo selvagem?
Com o desenvolvimento da produção capitalista durante o período da manufactura, a opinião pública europeia despiu o último farrapo de consciência e de pudor. Cada nação vangloriava-se cinicamente de qualquer infâmia que servisse para acumulação do capital. Leiam-se por exemplo os ingénuos Annales du commerce, do honesto A. Anderson. Este bravo homem admira, como um golpe genial da política inglesa, que, quando da paz de Utrecht, a Inglaterra tenha arrancado à Espanha, pelo tratado de Asiento, o privilégio de fazer entre a África e a América espanhola, o tráfico de negros, que até então se fizera apenas entre África e as suas possessões na Índia oriental. A Inglaterra forneceu assim, até 1743, quatro mil e oitocentos negros por ano à América espanhola. Isso servia-lhe, ao mesmo tempo para cobrir com o véu oficial as proezas do seu contrabando. Foi o tráfico de negros que lançou as bases da grandeza de Liverpool; para esta cidade ortodoxa, o tráfico de carne humana constituiu todo o método de acumulação primitiva. E, até aos nossos dias, os notáveis de Liverpool cantaram as virtudes específicas do comércio de escravos, "o qual desenvolve o espírito de empreendimento até à paixão e forma marinheiros sem paralelo"(John Aikin, Description from the Country, 1745).(...)A industria algodoeira, ao mesmo tempo que introduzia em Inglaterra a escravatura infantil, nos Estados Unidos transformava o tratamento mais ou menos patriarcal dos negros num sistema de exploração mercantil. Em resumo, para suportar a escravatura disfarçada dos assalariados na Europa, era necessária a escravatura sem limites do novo mundo. Tanto e molis erat (De tal modo era difícil, Vergílio, Eneida,1,33). Eis por que preço pagamos as nossas conquistas; eis quanto nos custou desenvolver as leis eternas e naturais da produção capitalista, para consumar o divórcio entre os trabalhadores e as condições de trabalho, para transformar estas em capital, e a massa do povo em assalariados, em pobres laboriosos, obra-prima da arte, criação sublime da história moderna.Se, segundo Augier (Maria Augier, Du crédit Públic, 1842, p,265), foi com manchas naturais de sangue numa das faces que o dinheiro veio ao mundo, o capital surge exalando sangue e lama por todos os poros.
domingo, abril 19, 2015
O que é a política?
Hannah Arendt, O que é a Política? p.
Imagem, Leonard Freed, Colónia
sábado, abril 18, 2015
O método científico.
quinta-feira, abril 09, 2015
O ponto de partida da ciência é o senso comum.
terça-feira, março 31, 2015
quinta-feira, março 19, 2015
Suart Mill e reivindicação da igualdade entre os sexos
quinta-feira, fevereiro 26, 2015
Como é ser um morcego? À descoberta da relação mente corpo
A experiência do cogito inicia a aventura do ser que se pensa e do mundo que é pensado e da sua radical ligação e separação.
quinta-feira, janeiro 29, 2015
Relativismo cultural (RC)
quinta-feira, janeiro 15, 2015
EPISTEMOLOGIA: A NECESSIDADE DE JUSTIFICAÇÃO
sexta-feira, janeiro 09, 2015
Liberdade de expressão
quinta-feira, dezembro 11, 2014
Na perspectiva da humanidade
Helena Serrão
quinta-feira, dezembro 04, 2014
John Searle: A nossa convicção de liberdade é inseparável do nosso estado consciente
Jonh Searle, Mente Cérebro e Ciência
quinta-feira, novembro 27, 2014
Freud. Os condicionamentos da cultura disfarçam mas não apagam a barbaria
Vimos que a coerção externa, exercida sobre o homem pela educação e pelo
meio ambiente, suscita uma ulterior transformação da sua vida pulsional no
sentido do bem, uma viragem do egoísmopara o altruísmo. Mas este não é o efeito necessário ou regular da coacção
exterior. A educação e o ambiente não se limitam a oferecer prémios de amor,
mas lidam também com prémios de outranatureza, com a recompensa e o castigo. Podem, pois, fazer que
o indivíduo submetido à sua influência se resolva a agir bem, no sentido
cultural, sem que nele tenha realizado um enobrecimento das pulsões, uma
mutação das tendências egoístas em tendências sociais.O resultado será, no conjunto, o mesmo; só em circunstâncias especiais
se tornará patente que um age sempre bem, porque a tal o forçam as suas
inclinações pulsionais, mas o outro só é bom porque tal conduta cultural traz vantagens aos seus intentos egoístas, e só
enquanto e na medida em que as procura. Nós, porém, com o nosso conhecimento
superficial do indivíduo, não temos meio algum de distinguir os dois casos, e o nosso optimismo induzir-nos-á decerto
a exagerar desmesuradamente o número dos homens transformados pela cultura. (…)
A pressão da cultura
noutros sectores não acarreta consequências patológicas, mas manifesta-se
em deformações de carácter e na disponibilidade constante das pulsões inibidas
para abrir caminho na ocasião oportuna para a satisfação. Quem assim é forçado
a reagir permanentemente no sentido de prescrições que não são expressão das
suas tendências pulsionais vive, psicologicamente falando, muito cima dos seus
meios e pode qualificar-se objectivamente de hipócrita, seja ou não claramente
consciente desta diferença. É inegável que a nossa cultura actual favorece com
extraordinária amplitude este género de hipocrisia. Poderia arriscar-se a
afirmação de que se baseia nela e teria de se submeter a profundas
transformações, se os homens decidissem viver segundo a verdade psicológica.
Há, pois, incomparavelmente mais hipócritas da cultura do que homens verdadeiramente
culturais, e pode inclusive discutir-se o ponto de vista de se uma certa medida
de hipocrisia cultural não será indispensável para a conservação da cultura,
porque a aptidão cultural já organizada dos homens do presente não bastaria
talvez para esta realização.
quinta-feira, novembro 13, 2014
Argumentação: um poder acessível
O desafio que aqui deixamos sobre este filme é o seguinte: A partir das pistas dadas descubra a profissão de cada uma das personagens.
sexta-feira, novembro 07, 2014
Novo desafio filosófico
Além disso, nem mesmo a posse do conhecimento mais exacto torna fácil convencer certos auditórios daquilo que dizemos, pois a argumentação baseada no conhecimento implica a instrução e existem pessoas que não conseguiremos instruir. Nestes casos, temos de usar, então, noções que todos possuem enquanto modo de persuasão e argumentação. (...)
Além do mais, temos de ser capazes de utilizar a persuasão (tal como o raciocínio rigoroso pode ser utilizado) em lados opostos de uma questão - não para que na prática possamos utilizá-la de ambas as maneiras, pois não devemos levar as pessoas a acreditar naquilo que é errado, mas podermos ver claramente os factos e para que, se outro homem argumentar desonestamente, possamos refutá-lo. Em nenhuma das outras artes se retiram conclusões opostas: isto só acontece na dialéctica e na retórica. Estas duas artes retiram conclusões opostas imparcialmente. Ainda assim, os factos subjacentes não se prestam igualmente bem às perspectivas contrárias. Não, na prática, as coisas que são verdadeiras e as coisas que são melhores são, pela sua natureza, mais fáceis de acreditar e de provar.
Por fim, é absurdo sustentar que um homem deve ter vergonha de ser incapaz de se defender com os seus membros, mas não ser incapaz de se defender com o discurso e a razão.
DE QUEM É ESTE TEXTO?
ACEITAM-SE SUGESTÕES. FILÓSOFOS, ESTUDIOSOS DE FILOSOFIA ARRISQUEM...CONFIRAM A AUTORIA. EM BOA VERDADE UM TEXTO QUE NÃO SE ESCUDE NA AUTORIDADE DE UM AUTOR É MUITO MAIS FRÁGIL MAS TAMBÉM MAIS ABERTO À DISCUSSÃO...
Desfeito o anonimato o texto é de Aristóteles, da obra a Retórica, como ninguém respondeu ao desafio o próximo desafio será mais atraente: Será que o actor Zeca vai voltar às Novelas? Será que vamos poder voltar a contar com os seus magníficos olhos azuis ou Adeus Zeca? Aguardam-se comentários...
quinta-feira, outubro 23, 2014
Logosfera - A Babel das línguas que não se entendem
"Cada povo tem, sobre si, um céu matematicamente dividido em conceitos, e, sob a exigência de verdade, entende que nenhum deus conceptual pode ser procurado em lugar algum fora da sua sua esfera "(Nietzsche): somos todos apanhados na verdade das linguagens, isto é, na sua regionalidade, arrastados para a grande rivalidade que governa as suas vizinhanças. Pois cada palestra (cada ficção) luta pela hegemonia; se tem o poder, atravessa tudo no decorrer quotidiano da vida social, torna-se doxa , natureza: a conversa pretensamente apolítica dos políticos, funcionários públicos, da imprensa, rádio, televisão; é a conversação; Mas, mesmo fora do poder, contra o poder, a rivalidade renasce, os dialectos lutam entre si. Uma Regra implacável rege a vida da linguagem; ela vem sempre de algum lugar, é guerreira desse lugar. Imagina-se o mundo da linguagem (o logosfera ) como um enorme e perpétuo conflito de paranóias. Apenas sobrevivem os sistemas (ficções, dialectos) suficientemente inventivos para produzir uma imagem final, o sistema que marca o adversário com termos semi-científicos, semi-éticos, espécie de torniquete que permite ao mesmo tempo ver, explicar, condenar , vomitar, recuperar o inimigo, em uma palavra, fazê-lo pagar.
Tradução de Helena Serrão
O conceito de Logosfera descobre a sua paternidade e também a luz do dia, neste excerto do texto de Barthes. O mundo das linguagens em conflito que lutam pela hegemonia.
terça-feira, outubro 14, 2014
Hannah Arendt entrevistada por Roger Errera em 1973 (extracto)
Hannah Arendt nasceu a 14 de Outubro de 1906, hoje faria 108 anos. À sua fama referenciada na página de pesquisa do Google, não é alheia uma evidente capacidade de comunicação e de reflexão simultaneamente estimulante e original, não só porque faz uso de uma linguagem comum, facilmente compreensível, como alerta para a discussão dado o carácter provocador das suas principais teses. Veja-se na entrevista a relação entre a banalidade do mal e a grandiosidade das suas consequências, qualquer ser humano que se destitui do pensamento pode perpetrar, se as condições o propiciarem, actos causadores dos maiores danos, sem consciência, pois sem pensamento não há verdadeira consciência moral. Esta conclusão resulta da análise de um caso histórico, o julgamento do nazi Adolf Eichmann. No seguimento deste raciocínio, a citação de Brecht, que a comédia pode representar melhor que a tragédia este mal cometido provoca uma inversão dos lugares comuns que usamos e nos quais confiamos, exemplo da função crítica da Filosofia que não precisa afastar-se dos factos históricos, pode perfeitamente partir deles para os interpelar de um outro modo, diferente da História.











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