Beautiful time lapse of Sunday's blood moon eclipse.Video and photography by Joe Cappa on.fb.me/1QJpYjG
Posted by I fucking love science on Terça-feira, 29 de Setembro de 2015
terça-feira, setembro 29, 2015
Estamos no espaço.
segunda-feira, setembro 28, 2015
A ironia como estratégia filosófica
Cartoon de Gerhard Haderer
"A ironia socrática é uma ironia interrogante; Sócrates desagrega, pelas suas questões, as cosmogonias maciças dos Jónios e o monismo sufocante de Parménides. Primeiro que tudo notemos que Sócrates é um sofista, como Prometeu é um 'Gigante'; mas é um sofista que 'acabou mal', um sofista que se ri da sofística tanto como da ciência dos meteoros. (...) Para sofista, sofista e meio: Sócrates desmancha o escândalo desta erística, a impostura deste 'arrivismo'; Sócrates criva de questões os mercadores de belas frases e tem um maligno prazer em perfurar os seus odres de eloquência, em desinchar estas bexigas cheias de um vão saber. Sócrates é a consciência dos Atenienses, a um tempo a sua boa e a sua má consciência; quer dizer que, na sua função, se encontra a disparidade própria dos efeitos da ironia, na mesma proporção em que nos liberta, também nos priva das nossas crenças. "
Jankélévitch, L'Ironie
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terça-feira, setembro 15, 2015
INÍCIO
Deixo-vos com um quadro de Yuri Bondarenko com a luz do Outono que acabou de chegar. BOM ANO PARA TODOS.
sábado, agosto 29, 2015
quarta-feira, julho 22, 2015
sexta-feira, julho 17, 2015
segunda-feira, julho 13, 2015
Exames 2014/2015
A Filosofia levou mais alunos a exame que o ano passado, à custa de Físico-Química e Biologia que levaram muito menos, muitos alunos não querem fazer exame de Filosofia, querem fugir aos exames de Física e Biologia, consideram mais fácil a Filosofia, será mesmo mais fácil? Se contarmos com os resultados é. A Média das classificações subiu ligeiramente. Matemática A, a disciplina que mais tinta faz correr, (considera-se, por ordem divina, que as ciências exactas são mais importantes que as Humanas!!!), subiu muito, diria, surpreendentemente. Resultados fracos a Biologia. Podem ficar satisfeitos os profetas da Matemática e da tecnologia orientada para o sucesso, a disciplina arrisca-se a ser de topo, resta saber à custa de quê. Para um salto há sempre uma explicação não continuada, sugiro a facilidade da prova, quanto à Filosofia considerei médio alto o grau de dificuldade da prova.
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terça-feira, julho 07, 2015
A política: falar uns com os outros em liberdade
Leonard Freed, Sicília, 1974
A liberdade característica do agir, do fazer um novo começo, não pode prescindir da presença de outros e do ser-confrontado com suas opiniões. É verdade que o agir também jamais pode realizar-se em isolamento, porquanto aquele que começa alguma coisa só pode levá-la a cabo se ganhar outros que o ajudem. Nesse sentido, todo agir é um agir in concert, como Burke costumava dizer:13 "é impossível agir sem amigos e companheiros dignos de confiança" (Platão, 7- Epístola 325d14), ou seja, impossível no sentido do prattein grego, do executar e do concluir. Mas isso mesmo é apenas uma fase do agir, embora politicamente seja o mais importante, em suma, aquilo que determina no final o que será feito dos assuntos dos homens e que aspecto terão. Precede-lhe o começar, o archein; essa iniciativa, decide quem será o guia ou archon, o primus inter pares, cabe ao indivíduo e à sua coragem envolver-se no empreendimento.
Por fim, alguém como Hércules — a quem os deuses ajudam — pode realizar grandes façanhas mesmo sozinho e precisava dos homens apenas para receber a notícia sobre elas. A própria liberdade da espontaneidade é, por assim dizer, pré-política, se bem que sem ela toda a liberdade política perderia o seu melhor e mais profundo sentido; ela só depende das formas de organização da vida em comum na medida em que também pode ser organizada do mundo para fora. Mas como, em última análise, ela nasce do indivíduo, é só em circunstâncias muito desfavoráveis que ela ainda consegue salvar-se da intervenção, por exemplo, de uma tirania; na produtividade do artista, como de todos aqueles que produzem alguma coisa no isolamento contra outros, também se apresenta a espontaneidade e se pode dizer que nenhum produzir é possível que não tenha sido criado por meio da capacidade para agir. Contudo, muitas atividades do homem só podem realizar-se longe da esfera política e essa distância é até, como veremos mais tarde, uma condição essencial para determinadas produtividades humanas.
Algo bem diferente ocorre com a liberdade do falar um com o outro. Ela só é possível no trato com outros. A Sua importância sempre foi múltipla e ambígua e, já na Antiguidade, possuía a ambiguidade duvidosa que ainda tem para nós. Mas, naquele tempo, como hoje, o decisivo não era, de maneira alguma, cada um poder dizer o que bem entendesse, ou cada homem ter um direito imanente de se expressar tal como era. Trata-se aqui talvez da experiência de ninguém poder compreender por si, de maneira adequada, tudo que é objetivo em sua plenitude, porque a coisa só se mostra e se manifesta numa perspectiva, adequada e inerente à sua posição no mundo. Se alguém quiser ver e conhecer o mundo tal como ele é 'realmente', só poderá fazê-lo se entender o mundo como algo comum a muitos, que está entre eles, separando-os e unindo-os, que se mostra para cada um de maneira diferente e, por conseguinte, só se torna compreensível na medida em que muitos falarem sobre ele e trocarem as suas opiniões, as suas perspectivas uns com os outros e uns contra os outros. Só na liberdade do falar um com o outro nasce o mundo sobre o qual se fala, na sua objetividade visível de todos os lados. O viver-num-mundo-real e o falar-sobre-ele-com-outros são, no fundo, a mesma e única coisa, e a vida privada parecia 'idiota' para os gregos porque os privava dessa complexidade do conversar-sobre-alguma-coisa e, com isso, da experiência sobre como a coisa acontecia, de fato, no mundo. Essa liberdade de movimento, seja a liberdade de ir em frente e começar algo novo e inaudito, ou seja a liberdade de se relacionar com muitos conversando e tomando conhecimento de muitas coisas que, na sua totalidade, são o mundo em dado momento, não era nem é, de maneira alguma, o objetivo da.política — aquilo que seria alcançável por meios políticos; é muito mais o conteúdo e sentido original da própria coisa política. Nesse sentido, política e liberdade são idênticas e sempre onde não existe essa espécie de liberdade, tampouco existe o espaço político no verdadeiro sentido.
Hannah Arendt, O que é a política? Bertrand, Brasil, 2002, pp.22 e 23
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quinta-feira, junho 18, 2015
quinta-feira, junho 11, 2015
Informações sobre o Exame Nacional de Filosofia 2015
Frans Hals, Anvers, 1582, 1666, Grupo de crianças
1. Critérios de correcção
2. CALENDÁRIO:
1ª FASE - 15 de Junho às 9.30h
2ª FASE - 21 de Julho às 9.30h
3. INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O EXAME
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sábado, junho 06, 2015
quinta-feira, maio 21, 2015
O ressentimento
Steve Mc Curry, India Jodhpur, 2007
"O terror fundamentalista islâmico não se baseia na convicção por parte do terrorista da sua superioridade e no seu desejo de salvaguardar a sua identidade religiosa e cultural do massacre da civilização consumista global. O problema com os fundamentalistas não é que os consideremos inferiores a nós, mas antes o facto de eles próprios se considerarem secretamente inferiores. É por isso que as nossa declarações condescendentes e politicamente correctas de que não sentimos qualquer superioridade sobre eles só serve para os enfurecer ainda mais e para alimentar o seu ressentimento
. O problema não é a diferença cultural (o esforço deles por manterem a sua identidade), mas o facto oposto dos fundamentalistas serem já como nós, de, secretamente, terem já interiorizado os nossos critérios e se avaliarem a si próprios nesses termos. (...)
O aspecto desconcertante dos ataques terroristas é não corresponderem à nossa oposição característica entre o mal como egoísmo u desprezo pelo bem comum e o bem como espírito e real disposição de sacrifício em nome de uma causa mais elevada. (...) O egoísmo, ou preocupação com o bem-estar próprio, não se opõe ao bem comum, uma vez que podem facilmente deduzir-se normas altruístas de preocupações egoístas. As oposições individualismo versus comunitarismo, utilitarismo versus afirmação de normas universais, são oposições falsas, uma vez que as duas opções contrárias conduzem ao mesmo resultado. Os críticos que se queixam de que, na sociedade actual hedonista-egoísta, faltam os verdadeiros valores erram por completo o alvo. O verdadeiro do amor-próprio egoísta não é o altruísmo, a preocupação com o bem comum, mas a inveja, o ressentimento, que me faz agir contra os meus próprios interesses. Freud sabia-o bem: a pulsão de morte opõe-se tanto ao princípio do prazer como o princípio da realidade. O verdadeiro mal, que é a pulsão de morte, implica a auto-sabotagem. Faz-nos agir contra os nossos próprios interesses.
O problema do desejo humano é, segunda Lacan, ser sempre "desejo do outro" em todos os sentidos do termo: desejo pelo outro, desejo de ser desejado pelo outro, e, especialmente, desejo daquilo que o outro deseja. Este último desejo torna a inveja, que inclui o ressentimento, uma componente constitutiva do desejo humano - aspecto que Agostinho conhecia bem. lembremos a passagem das suas Confissões, citadas com frequência por Lacan, onde deparamos com um bébé com cíumes do seu irmão que chupa o seio da mãe: "Eu mesmo vi e compreendi como uma criança pode ter ciúmes embora aibnda não fale. Empalidece e lança olhares amargos ao seu irmão de leite."
Slavoj Zizek, A Violência, pág 81,82
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quinta-feira, maio 07, 2015
PARADIGMA
Escif, arte urbana
Paradigma é um termo com origem no grego “paradeigma” que significa modelo, padrão. No sentido lato corresponde a algo que vai servir de modelo ou exemplo a ser seguido em determinada situação. São as normas orientadoras de um grupo que estabelecem limites e que determinam como um indivíduo deve agir dentro desses limites.
O termo surgiu inicialmente em Linguística na teoria do signo linguístico criado por Ferdinand de Saussure, que relacionava o signo ao conjunto de elementos que constituem a língua.
Em filosofia, um paradigma está relacionado com a epistemologia, sendo que para Platão, um paradigma remete para um modelo relacionado com o mundo exemplar das ideias, do qual faz parte o mundo sensível.
O norte-americano Thomas Samuel Kuhn (1922-1996), físico e filósofo da ciência, no seu livro “A Estrutura das Revoluções Científicas” designou como paradigma as “realizações científicas que geram modelos que, por um período mais ou menos longo e de modo mais ou menos explícito, orientam o desenvolvimento posterior das pesquisas na busca da solução para os problemas por elas suscitados.”
O paradigma é um princípio, teoria ou conhecimento originado da pesquisa num campo científico. Uma referência inicial que servirá de modelo para novas pesquisas.Retirado daqui
quarta-feira, abril 29, 2015
Verificar pela experiência
Pintura, Ana Teresa Fernandez
A experiência deve confirmar a propriedade dos corpos de maneira que a definição coincida com os fenómenos.
Galileu escreve numa carta a Carcarilhe (…) “Se a
experiência mostra que as propriedades que deduzimos encontram confirmação na
queda livre dos corpos, podemos afirmar, sem medo de errar, que o movimento
concreto da queda é idêntico ao que nós definimos e pressupusemos; se não é o
caso, as nossas demonstrações que se
aplicam à nossa única hipótese, não perdem nada da sua força e valor, tal como
as proposições de Arquimedes sobre a espiral não sofrem pelo facto de não
encontrar na natureza nenhum corpo ao qual se possa atribuir um movimento em
espiral”.
Aqui está enunciado um princípio
fundamental do pensamento científico moderno: o princípio fundamental que
estabelece a relação alternativa das hipóteses e da experiência. Para observar
a natureza o espírito humano desenvolve hipóteses que devem ser matemáticas,
logicamente conclusivas. As demonstrações matemáticas incidem sobre hipóteses.
O facto de serem conclusivas não dá, no entanto, qualquer indicação quanto à
existência rela na natureza, das relações tais como estas são vistas nas
hipóteses. As hipóteses só adquirem o carácter de leis naturais se são
empregues na experiência empírica e verificadas por ela. Hipóteses que são em
si lógicas, matemáticas, mas não correspondem a nada na natureza, não deixam de
concluir qualquer coisa, mas não constituem uma lei natural.
W. Heisenberg, La nature dans la Physique Contemporaine, Gallimard, 1962, p.99
Penso que descobrir um padrão nos
acontecimentos físicos, encontrar depois uma explicação possível e descobrir
como a poderemos comprovar é o trabalho que podemos reconhecer no conhecimento
científico. A confirmação da experiência é um passo fundamental ou
indispensável para a credibilidade científica e para a forma como esta pode reproduzir
o fenómeno em laboratório a partir do momento que conhece o seu funcionamento.
O papel da experiência pode não verificar a hipótese mas não é primeiramente
para isso que a experiência é necessária. Daqui decorre que algo que se usa com
determinado fim, é na acepção ou satisfação desse fim que encontra a sua
natureza. Contrariamente ao procedimento usual na ciência Popper propõe uma
finalidade na experiência que não é aquela pela qual ela é importante, se
considerarmos que a ciência é um conhecimento, isto é pressupõe que busca uma
explicação e ou uma descrição de como funcionam os elementos e os fenómenos,
essa explicação pode não ser verdadeira mas é suficiente para os podermos
manipular, reproduzir e sobre eles intervir. O registo prático do conhecimento
não pode ser separado da sua estratégia de procedimento e penso que Popper o
faz, fixa-se na lógica e esquece o
procedimento prático, tanto no sentido da lógica prática da descoberta
científica como no sentido da sua manipulação material dos fenómenos.
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domingo, abril 26, 2015
Não haverá alternativa ao capitalismo selvagem?
Sebastião Salgado, Trabalhador de chá no Rwanda, 1991
Com o desenvolvimento da produção capitalista durante o período da manufactura, a opinião pública europeia despiu o último farrapo de consciência e de pudor. Cada nação vangloriava-se cinicamente de qualquer infâmia que servisse para acumulação do capital. Leiam-se por exemplo os ingénuos Annales du commerce, do honesto A. Anderson. Este bravo homem admira, como um golpe genial da política inglesa, que, quando da paz de Utrecht, a Inglaterra tenha arrancado à Espanha, pelo tratado de Asiento, o privilégio de fazer entre a África e a América espanhola, o tráfico de negros, que até então se fizera apenas entre África e as suas possessões na Índia oriental. A Inglaterra forneceu assim, até 1743, quatro mil e oitocentos negros por ano à América espanhola. Isso servia-lhe, ao mesmo tempo para cobrir com o véu oficial as proezas do seu contrabando. Foi o tráfico de negros que lançou as bases da grandeza de Liverpool; para esta cidade ortodoxa, o tráfico de carne humana constituiu todo o método de acumulação primitiva. E, até aos nossos dias, os notáveis de Liverpool cantaram as virtudes específicas do comércio de escravos, "o qual desenvolve o espírito de empreendimento até à paixão e forma marinheiros sem paralelo"(John Aikin, Description from the Country, 1745).(...)A industria algodoeira, ao mesmo tempo que introduzia em Inglaterra a escravatura infantil, nos Estados Unidos transformava o tratamento mais ou menos patriarcal dos negros num sistema de exploração mercantil. Em resumo, para suportar a escravatura disfarçada dos assalariados na Europa, era necessária a escravatura sem limites do novo mundo. Tanto e molis erat (De tal modo era difícil, Vergílio, Eneida,1,33). Eis por que preço pagamos as nossas conquistas; eis quanto nos custou desenvolver as leis eternas e naturais da produção capitalista, para consumar o divórcio entre os trabalhadores e as condições de trabalho, para transformar estas em capital, e a massa do povo em assalariados, em pobres laboriosos, obra-prima da arte, criação sublime da história moderna.Se, segundo Augier (Maria Augier, Du crédit Públic, 1842, p,265), foi com manchas naturais de sangue numa das faces que o dinheiro veio ao mundo, o capital surge exalando sangue e lama por todos os poros.
Karl Marx, A acumulação Primitiva, ,estampa, 1977, Lx, p.100,101,102,103 -
8ª Secção de O Capital Marx publicado pela primeira vez em 1867.
É inegável que, 148 anos passados da publicação deste texto, depois dos massacres de populações inteiras, duas guerras mundiais e várias revoluções comunistas, o mundo económico e moral ocidental não sejam o mesmo de que falava Marx, todavia há verdade factual nas suas palavras e esperança na possibilidade de mudança. A crítica contra as usurpações disfarçadas da sociedade capitalista é contundente, essa mesma crítica continua actual, hoje nenhuma alternativa se perfila contra o capitalismo selvagem que estamos a viver, apesar de nos considerarmos livres, não pode haver liberdade sem alternativas reais e credíveis.
Não podemos perder a memória nem a imaginação para voltar a ver os últimos 100 anos e o que é hoje a sociedade ocidental. As intervenções "ocidentais" por todo o mundo, da expansão ao tráfico, adquiriram novas formas mas têm o mesmo objectivo e deixam o mesmo rasto de sangue. Considerado ultrapassado o nome de Marx exala o medo do comunismo Estalinista que tem proporções fantasmagóricas maiores no nosso imaginário que o capitalismo do qual somos dependentes e cúmplices nas suas continuadas e pretensamente justificadas surtidas sanguinárias. Há pelo menos dois factos que dão razão a Marx: a alienação dos meios de produção tomou a forma de alienação do povo dos centros de poder, apesar do Citroen à porta somos uns assalariados e a nossa opinião, apesar de livre, conta zero, porque estamos todos a falar sozinhos. Segundo facto, a riqueza está acumulada em meia dúzia de detentores desses meios de produção enquanto a esmagadora população do mundo vive no limiar da pobreza. Estamos melhor hoje do que estávamos em termos de condições de trabalho? Parece-nos que sim, a verdade é que muitos nem têm direito ao trabalho. Daí que nos surpreende que Marx seja tão dramático, o dramatismo é sinal de romantismo serôdio, talvez não possa deixar de ser dramático por estar desesperado, sabe-se que vivia da caridade dos amigos para comer, nessa Inglaterra industrial onde as desigualdades sociais eram injustas e incompreensíveis. Apeteceu-me lembrá-lo 41 anos depois do 25 de Abril.
Helena Serrão
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Política
domingo, abril 19, 2015
O que é a política?
1. A política baseia-se na
pluralidade dos homens. Deus criou o homem, os homens são um produto humano
mundano, e produto da natureza humana. A filosofia e a teologia ocupam-se
do homem, e todas as suas afirmações seriam correctas se houvesse apenas
um homem, ou apenas dois homens, ou apenas homens idênticos. Por isso, não
encontraram nenhuma resposta filosoficamente válida para a pergunta: o que é
política? Mais, ainda: para todo o pensamento científico existe apenas o homem
— na biologia ou na psicologia, na filosofia e na teologia, da mesma forma como
para a zoologia só existe o leão. Os leões seriam, no caso, uma questão que só
interessaria aos leões.
É surpreendente a diferença de
categoria entre as filosofias políticas e as obras de todos os grandes
pensadores — até mesmo de Platão. A política jamais atinge a mesma
profundidade. A falta de profundidade de pensamento não revela outra coisa
senão a própria ausência de profundidade, na qual a política está ancorada.
2. A política trata da
convivência entre diferentes. Os homens organizam-se politicamente para certas
coisas em comum, essenciais num caos absoluto, ou a partir do caos absoluto das diferenças. Enquanto os homens organizam
corpos políticos sobre a família, em cujo quadro se entendem, o parentesco
significa, em diversos graus, por um lado aquilo que pode ligar os mais
diferentes e por outro, aquilo pelo qual formas individuais semelhantes
podem separar-se de novo umas das outras e umas contra as outras.
Nessa forma de organização, a
diversidade original tanto é extinta de maneira efectiva como também é destruída
a igualdade essencial de todos os homens. A ruína da política em ambos
os casos surge do desenvolvimento de corpos políticos a partir da família. Aqui
já está indicado o que se torna simbólico na imagem da Sagrada Família: Deus
não criou tanto o homem como o fez com a família.*
3. Quando se vê na família
mais do que a participação, ou seja, a participação activa na pluralidade,
começa-se a fazer de Deus, ou seja, a agir como se se pudesse sair, de modo
natural, do princípio da diversidade.Hannah Arendt, O que é a Política? p.
Imagem, Leonard Freed, Colónia
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sábado, abril 18, 2015
O método científico.
1. O facto observado é guiado por conhecimentos prévios
“Trouxeram um dia, ao meu laboratório, coelhos do mercado, Colocaram-nos numa mesa onde urinaram e observei, por acaso, que a sua urina era clara e ácida. Este facto impressionou-me, porque os coelhos têm geralmente a urina turva e alcalina por serem herbívoros, enquanto os carnívoros, como se sabe, têm, pelo contrário, urinas claras e ácidas.
2. A formulação da hipótese como explicação provisória do facto observado
Esta observação da acidez da urina dos coelhos fez-me supor que estes animais deviam ser da condição alimentar dos carnívoros. Supus que eles não tinham comido havia muito tempo e que se tinham transformado, pela abstinência, em verdadeiros animais carnívoros (...). Nada era mais fácil de verificar pela experiência do que esta ideia preconcebida ou esta hipótese.
3. A experimentação como processo de verificação da hipótese
Dei erva a comer aos coelhos e, algumas horas depois, as suas urinas tinham-se tornado turvas e alcalinas. Submeti em seguida os mesmos coelhos à abstinência e, vinte e quatro ou trinta e seis horas depois, as suas urinas tinham-se tornado claras e fortemente ácidas; depois voltaram a ser alcalinas se lhes desse ervas, etc. Repeti esta experiência tão simples um grande número de vezes com os coelhos e sempre com o mesmo resultado. Repeti-a em seguida com um cavalo, animal herbívoro, que tem igualmente a urina turva e alcalina. Verifiquei que a abstinência tinha produzido, como no coelho, uma pronta acidez da urina com um acréscimo relativamente considerável da ureia, a ponto de cristalizar por vezes, espontaneamente, na urina arrefecida.
4. A hipótese torna-se uma ideia aceitável
Cheguei assim, em consequência das minhas experiências, a esta proposição geral que então era desconhecida: em jejum, os herbívoros têm urinas semelhantes às dos carnívoros.
5. A contraprova como garantia da aceitabilidade
Mas, para provar que os meus coelhos em jejum eram carnívoros, havia uma contraprova a fazer. Era preciso, experimentalmente, fazer um coelho carnívoro, alimentando-o a carne, a fim de saber se as suas urinas seriam claras, ácidas e relativamente carregadas de ureia como durante a abstinência. Por isso fiz alimentar coelhos com carne de vaca cozida fria, alimento que comem muito bem, quando não se lhes dá outra coisa. A minha previsão foi ainda verificada e, enquanto durou esta alimentação animal, os coelhos conservaram urinas claras e ácidas”
Claude Bernard, Introdução ao estudo da medicina experimental,
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quinta-feira, abril 09, 2015
O ponto de partida da ciência é o senso comum.
Christopher Anderson, Palestina 2007
A ciência, a filosofia, o pensamento racional, todos devem partir do senso comum.
Não, talvez, por ser o senso comum um ponto de partida seguro: a expressão "senso comum" que estou aqui a usar é muito vaga, simplesmente porque denota uma coisa vaga e mutável - os instintos, ou opiniões de muitas pessoas, às vezes adequados ou verdadeiros e às vezes inadequados ou falsos.
Como nos pode fornecer um ponto de partida uma coisa tão vaga e insegura como o senso comum? A minha resposta é: porque não pretendemos nem tentamos construir (...) um sistema seguro sobre esses "alicerces". Qualquer das nossas muitas suposições de senso comum (...) da qual partamos pode ser contestada e criticada a qualquer tempo; frequentemente, tal suposição é criticada com êxito e rejeitada (por exemplo, a teoria de que a Terra é plana). Em tal caso, o senso comum é modificado pela correcção, ou é transcendido e substituído por uma teoria que, por menor ou maior período de tempo, pode parecer a certas pessoas como mais ou menos "maluca" (...). Se tal teoria necessitar de muito treino para poder ser compreendida, poderá mesmo deixar para sempre de ser absorvida pelo senso comum. (...)Toda a ciência e toda a filosofia são senso comum esclarecido. (...)
Deste modo começamos com um ponto de partida vago e construímos sobre alicerces inseguros. Mas podemos progredir: podemos às vezes, após alguma crítica, ver que estivemos errados podemos aprender com os nossos enganos, com a compreensão de que fizemos um erro. (...)
A minha primeira tese é, pois, que o nosso ponto de partida é o senso comum e que o nosso grande instrumento para progredir é a crítica.
K. Popper (1975), Conhecimento Objectivo, Belo Horizonte, Editora da Universidade de S. Paulo e Itatiaia Limitada, p. 42.
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terça-feira, março 31, 2015
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