Anne Carson, Nobel da Literatura 2026
O Small Sad Ecstasy of Love
"I like being with you all night
with closed eyes.
What luck—here you are
coming
along the stars!
I did a road trip
all over my mind and heart
and
there you were
kneeling by the roadside
with your little toolkit
fixing something.
Give me a world, you have taken
the world I was."
A pequena e triste alegria do amor
"Gosto de estar contigo a noite toda de olhos fechados.
vindo
de entre as estrelas!
com a mente e o coração tomados pela emoção
e
lá estavas tu
ajoelhado à beira da estrada
com o teu pequeno kit de ferramentas
arranjando alguma coisa.
Dá-me um mundo, levaste o mundo que eu era"
A poesia surpreende sempre, mesmo que achemos, como eu acho, que já nada há de tão inovador que ainda cause um pequeno, minúsculo ou fremente calafrio. Aqui está! Se a li distraída, agora leio mais atenta e sim, maravilho-me. Um prémio como o Nobel colapsa sobre a nossa cabeça idiota e põe-nos aos saltinhos a caminho das livrarias, à procura de um pouco do ouro que ele descobriu. Seja como for, não, ainda não vimos nada, essa a conclusão que ler os seus poemas me faz pensar. É claro, poder explicar estas sensações e pensamentos fica pobre perante o desafio incandescente da leitura de alguns poemas mas, posso tentar, parece-me que as suas palavras embrulham a realidade numa outra cor, que não é outra, é mesmo a cor que a desnuda ou expressa de forma surpreendente mas, reconhecemos, justa! O amor, sendo algo de outro mundo é também muito real, e pode descrever-se com pequenos gestos, sensações ou imagens recorrentes de mundos não tradicionalmente associados ao amor, daquele onde cada um habita e é simultaneamente pessoal e universal, isto tudo está em nós sempre quando sentimos, quando falamos, quando pensamos e está no pequeno edifício da sua poesia. HS
Dá-me um mundo, levaste o mundo que eu era

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