terça-feira, outubro 13, 2026

Surpreendente!

 


Anne Carson, Nobel da Literatura 2026

 

O Small Sad Ecstasy of Love

 

"I like being with you all night with closed eyes.

What luck—here you are

coming

along the stars!

I did a road trip

all over my mind and heart

and

there you were

kneeling by the roadside

with your little toolkit

fixing something.

 

Give me a world, you have taken the world I was."


 Copyright © 2020 by Anne Carson. Originally published in Poem-a-Day on December 10, 2020, by the Academy of American Poets.

 

A pequena e triste alegria do amor

"Gosto de estar contigo a noite toda de olhos fechados.

 Que sorte — aqui estás tu

vindo

de entre as estrelas!

 Eu estava a viajar de carro

com a mente e o coração tomados pela emoção

e

lá estavas tu

ajoelhado à beira da estrada

com o teu pequeno kit de ferramentas

arranjando alguma coisa.

Dá-me um mundo, levaste o mundo que eu era"

 

Tradução Google com acertos 

A poesia surpreende sempre, mesmo que achemos, como eu acho, que já nada há de tão inovador que ainda cause um pequeno, minúsculo ou fremente calafrio. Aqui está! Se a li distraída, agora leio mais atenta e sim, maravilho-me. Um prémio como o Nobel colapsa sobre a nossa cabeça idiota e põe-nos aos saltinhos a caminho das livrarias, à procura de um pouco do ouro que ele descobriu. Seja como for, não, ainda não vimos nada, essa a conclusão que ler os seus poemas me faz pensar. É claro, poder explicar estas sensações e pensamentos fica pobre perante o desafio incandescente da leitura de alguns poemas mas, posso tentar, parece-me  que as suas palavras embrulham a realidade numa outra cor, que não é outra, é mesmo a cor que a desnuda ou expressa de forma surpreendente mas, reconhecemos, justa! O amor, sendo algo de outro mundo é também muito real, e pode descrever-se com pequenos gestos, sensações ou imagens recorrentes de mundos não tradicionalmente associados ao amor,  daquele onde cada um habita e é simultaneamente pessoal e universal, isto tudo está em nós sempre quando sentimos, quando falamos, quando pensamos e está no pequeno edifício da sua poesia. HS

Dá-me um mundo, levaste o mundo que eu era

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