terça-feira, maio 15, 2007

Tudo pode ser arte?

Andy Warhol, Caixa de Brillo, EUA ,1964

"O senhor Andy Warhol, artista Pop, expõe cópias exactas de caixas de papelão de Brillo (famosa marca americana de detergentes para a loiça) cuidadosamente empilhadas ao alto, como no armazém de um supermercado.
Acontece que são de madeira, se bem que pintadas de modo a parecer papelão. E por que não? (...)
Sucede que o preço destas caixas é milhares de vezes superior ao das suas réplicas da vida real -uma diferença que dificilmente pode ser atribuída à sua maior durabilidade. O que faz dessas coisas obras de arte? E porque precisa Warhol de fazer essas obras à mão? (...)
O que afinal faz a diferença entre uma caixa de Brillo en uma obra de arte que consiste numa caixa de Brillo é uma certa teoria da Arte. É a teoria que a mantém no mundo da arte e a impede de resvalar para o objecto real que é (num outro sentido de ser diferente do de identificação artística). Claro que é improvável que sem a teoria alguém a visse como arte. De modo a vê-la como parte do mundo da arte, uma pessoa tem que dominar bem a teoria da arte, assim como precisa de ter um profundo conhecimento da história da pintura nova- iorquina recente."

Arthur Danto, A libertação artística dos objectos reais: o mundo da arte.

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