sábado, janeiro 31, 2009


COMO USAM OS FILÓSOFOS AS CELULAZINHAS CINZENTAS

Raciocinar em filosofia é semelhante a raciocinar em outras áreas. Frequentemente raciocinamos acerca de questões como 'Quem cometeu o crime?', 'Que carro comprar?',  'Há um número primo maior do que todos?' ou 'Como curar o cancro?' Ao abordar estes temas, clarificamos as questões e colhemos informação de fundo. Consideramos o que outros disseram sobre o assunto. Consideramos perspectivas alternativas e as objecções a estas. Fazemos distinções e pesamos os prós e contras. O clímax do processo atinge-se quando tomamos posição e tentamos justificá-la. Explicamos que a resposta tem de ser tal e tal e apontamos para outros factos que justificam a nossa resposta. Isto é raciocínio lógico, no qual vamos de premissas para uma conclusão.
Raciocinar logicamente é concluir algo a partir de algo diferente. Por exemplo, concluir que foi o mordomo que cometeu o homicídio a partir das crenças (1) ou foi o mordomo ou a criada e (2) a criada não pode ter sido. Se colocamos o racicínio em palavras temos um argumento - uma série de proposições consistindo em premissas e uma conclusão:

Ou foi o mordomo ou a criada.
A criada não foi.
Logo, foi o mordomo.

[…] Este argumento é válido, o que significa que a conclusão se segue logicamente das premissas. Se as premissas são verdadeiras, então a conclusão tem de ser verdadeira. Portanto, se podemos ter confiança nas premissas, podemos estar confiantes de que foi mordomo que cometeu o crime.
Dizer que um raciocínio é válido é dizer que a conclusão se segue das premissas e não que as premissas são verdadeiras. Para provar algo precisamos, além da validade do argumento, de premissas verdadeiras. Provamos a nossa conclusão se ela se segue logicamente de premissas claramente verdadeiras.  
A filosofia envolve muito raciocínio lógico. A forma mais comum de raciocínio lógico em filosofia consiste em atacar-se uma tese P argumentando que ela conduz ao absurdo Q:

Se P é verdadeiro, então Q também o será.
Q é falso.
Logo, P é falso.

Ao examinarmos uma tese, consideramos as suas implicações e vamos à procura das falhas. Se encontramos implicações claramente falsas, então mostrámos que a tese é falsa; se encontramos implicações altamente duvidosas, então a tese é duvidosa.
Na formação das nossas perspectivas filosóficas são igualmente importantes o raciocínio e o empenho pessoal. O raciocínio só por si não resolve todas as disputas. Uma vez considerados os argumentos de um lado e de outro, temos de tomar uma decisão. Se nos decidimos por uma perspectiva que levanta fortes objecções, temos de estar à altura de lhes responder.

Harry Gensler, Ethics - A Contemporary Introduction. (London & New York, 1998, p. 3). Tradução de Carlos Marques.

2 comentários:

Carlos Alves disse...

Mas o filósofos têm células cinzentas?!

:P

ACLRL disse...

Há uma diferença entre filósofo e sofista, um filósofo é aquele que é amigo da sabedoria, aquele que compreende e tenta perceber o que lhe rodeia. O sofista é aquele que sabe o que lhe rodeia.
Filosofia é a ciência dos filósofos, no entanto a atitude que nos pedem e obrigam a demonstrarmos e possuirmos é uma atitude sofista: nas aulas, seres decoradores que conhecem todas as teorias filosóficas e não têm a capacidade de as desenvolverem e entenderem são avaliados de maneira mais que positiva, enquanto outros, filósofos, tentam almejar novas formas de pensar com a mente, alma e raciocínio e não com a memória caem no desespero da incompreensão e má avaliação dos ditos filósofos.
Em vez de se ensinar maneiras de pensar, ensina-se formas de decorar, memorizar e relembrar.
Esta filosofia é uma mentira, que faz ressucitar de espanto filósofos reais como Platão, que são difamados, porque as suas obras ao contrário de serem estudadas e usadas de modo a desenvolver capacidades e formas de pensar são usadas para encher cérebros de uma juventude já perdida.
Aqueles que contra a Filosofia lutaram, investem agora, usando a própria para fins terrenos dos quais nem vou mencionar.
No futuro quem irá governar serão sofistas, cegos e mal concebidos, criados por falsos filósofos.
No futuro esses mesmos sofistas iram perecer às mãos dos verdadeiros filósofos que lutaram à muito por algo que não obtiveram injustamente.
Estes, verdadeiros filósofos, sim, irão governar, escravizar e castigar aqueles que lhes atormentaram com injustiças e mentiras.
Estes, verdadeiros filósofos, sim, irão criar um novo e melhor mundo, destruindo o velho e decrépito.