A ciência é uma atividade crítica. Nós testamos criticamente as nossas hipóteses. Criticamo- las com o propósito de detetar erros e na esperança de, ao eliminarmos os erros, nos aproximarmos da verdade. Consideramos uma dada hipótese – por exemplo, uma hipótese nova – preferível a uma outra quando satisfaz os três requisitos seguintes: em primeiro lugar, a nova hipótese deve explicar todos aqueles aspetos que a hipótese anterior havia conseguido explicar com êxito. Este constitui o primeiro ponto e o mais importante. Em segundo lugar, deve evitar ao menos algumas das falhas da hipótese anterior. Ou seja, deve, se possível, resistir a alguns dos exames críticos a que a outra hipótese não resistiu. Em terceiro lugar, deve explicar, se possível, os aspetos que a antiga hipótese não pôde esclarecer ou prever. É este, pois, o critério do progresso científico. […] Este critério evolutivo pode ser considerado simultaneamente um critério de aproximação da verdade. Isto porque se uma hipótese satisfaz o critério do progresso e, consequentemente, suporta as verificações críticas pelo menos tão eficazmente quanto a hipótese que a precedeu, não consideramos tal facto como fortuito; e se resistir ao exame crítico de forma ainda mais eficaz, admitimos então que se aproxima mais da verdade do que a sua predecessora. O objetivo da ciência é, por conseguinte, a verdade: a ciência é a busca da verdade. E muito embora nunca possamos saber […] se alcançámos esse objetivo, podemos mesmo assim dispor de razões válidas que nos permitam supor estarmos mais próximos do nosso objetivo, da verdade. Ou, como diz Einstein, que nos encontramos no bom caminho.»
Karl Popper (1992), Em Busca de Um Mundo Melhor, Lisboa, Editorial Fragmentos, pp. 48-49
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