quarta-feira, março 21, 2007

Ódios de estimação - Nietzsche

Que se me perdoe a descoberta de que, até agora, toda a filosofia da moral foi enfadonha e fez parte dos soporíferos - e que, a meu ver, a virtude só foi prejudicada pelo fastio dos seus apologistas:(...)



Nenhum destes pesados animais de rebanho de consciência inquieta (e que se propõem defender a causa do egoísmo como causa do bem-estar geral) quer saber ou farejar que o bem-estar geral não é um ideal, um alvo, um conceito definível, mas sim e apenas um vomitório – que o que é justo para um, é muito capaz de não poder ser justo para o outro, que a exigência de uma moral para todos é o prejuízo precisamente dos homens superiores, enfim, que há uma ordem hierárquica entre os homens e, por conseguinte, também entre as morais.
É um tipo de homem modesto e integralmente medíocre, o destes ingleses utilitários, e, como já disse: conquanto sejam enfadonhos, pode muito bem ter-se em conta a sua utilidade. Devia-se mesmo encorajá-los: como se tentou, em parte nos versos seguintes:
Salve, bravos carroceiros,
Sempre “quanto mais melhor”,
Cada vez mais entorpecidos de cabeça e de joelhos,
Sem entusiasmo, sem graça,
Irremediavelmente medíocres,
Sans génie et sans esprit!

Nietzsche,Humano demasiado humano

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