domingo, janeiro 22, 2017

Acerca do realismo e do idealismo


Thomas Hoepker (Alemanha, 1936) Brookling, 11 de Setembro de 2001

(...) Será que o significado das nossas frases deve ser explicado em função dos indicios que temos para as afirmar, ou será uma questão  de condições de verdade que nada têm que ver com indícios ?Isto relaciona-se com o idealismo - a ideia de que o mundo é, em última análise, mental -porque os indícios que temos a favor das nossas crenças reduz-se aos estados sensoriais que nos levam a acreditar naquilo que acreditamos. Por exemplo, se eu afirmar "Está uma mesa castanha nesta sala", faço-o por causa dos dados dos meus sentidos -isto é, porque me parece, visualmente, que está uma mesa ali; e este parecer-me é um estado do meu sistema sensorial, um estado mental em que me encontro. Assim, se o significado de uma frase deve ser explicado com base em indícios, então a verdade da frase vai acabar por envolver estados sensoriais tais como o parecer que vejo uma mesa. Esta é a chamada posição anti-realista (ou idealista). Um realista, em oposição, dirá que a frase é acerca de uma mesa e de uma sala que têm uma existência independente de quais quer estados sensoriais que possa ter ou atos de fala que possa realizar. Para um realista, tais estados sensoriais ou atos de fala são uma consequência da existência de objetos físicos, uma vez que estes atuam causalmente nos nossos órgãos sensoriais, mas não constituem os objetos físicos. Os realistas defendem que os objetos são causas dos nossos estados mentais, intrinsecamente independentes da mente, que nos dão os indícios da sua existência.

Colin McGinn,  Como se faz um filósofo, p.117,118

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