quinta-feira, novembro 21, 2019
domingo, novembro 17, 2019
quinta-feira, novembro 07, 2019
A crise na educação
quinta-feira, outubro 24, 2019
Raciocinar
terça-feira, outubro 22, 2019
Argumentos dedutivos
Se não há factores de sorte no xadrez, então o xadrez depende unicamente do talento dos jogadores. Não há factores de sorte no xadrez. Logo, o xadrez depende unicamente do talento dos jogadores.
Se estas duas premissas são verdadeiras, então tem também de ser verdade que o xadrez depende unicamente do talento dos jogadores. Para discordar da conclusão, o leitor teria de discordar também de pelo menos uma das premissas.
Os argumentos dedutivos oferecem, pois, certezas —mas apenas se as respectivas premissas forem também certas. Uma vez que as premissas dos nossos argumentos. raramente são de fato assim, as conclusões dos argumentos dedutivos da vida real têm ainda assim de ser apreciadas com algumas (por vezes muitas!) reticências. No entanto, quando conseguimos encontrar premissas fidedignas, as formas dedutivas são muito úteis. Lembre-se da regra 3: tente começar com premissas fidedignas. Mesmo quando as premissas são incertas, as formas dedutivas oferecem uma maneira efetiva de organizar um argumento, especialmente num ensaio argumentativo. Este capítulo apresenta seis formas dedutivas comuns com exemplos simples, cada uma com uma regra própria. Os capítulos VII-IX voltarão a tratar do seu uso nos ensaios argumentativos.
24. Modus ponens
Os argumentos dedutivos bem formados chamam-se argumentos válidos. Usando as letras p e q em representação de duas frases, a forma dedutiva mais simples é:
Se [frase p], então [frase q]. [Frase p]. Logo, [frase q].
Ou, mais sucintamente:
Se p, então q. p. Logo, q.
Esta forma chama-se modus ponens («o modo de pôr»: ponha p, fique com q). Se p representar «não há fatores de sorte no xadrez» e q «o xadrez depende unicamente do talento dos jogadores», o nosso exemplo introdutório é um caso de modus ponens. Verifique-o. Muitas vezes um argumento destes é tão óbvio que não precisa de ser formulado como um modus ponens.
Uma vez que os optimistas tem mais hipóteses de terem sucesso do que os pessimistas, devias ser optimista.
Este argumento pode escrever-se assim:
Se os optimistas tem mais hipóteses de terem sucesso do que os pessimistas, devias ser optimista. Os optimistas tem mais hipóteses de terem sucesso do que os pessimistas. Logo, devias ser optimista.
No entanto, o argumento é perfeitamente claro sem o pormos nesta forma. Outras vezes, no entanto; é útil escrevermos o modus ponens:
Se existem milhões de planetas habitáveis na nossa galáxia, então parece provável que a vida se tenha desenvolvido em mais do que um planeta. Existem milhões de planetas habitáveis na nossa galáxia. Logo, parece provável que a vida tenha evoluído em mais do que um planeta.
Para desenvolvermos este argumento temos de defender e explicar ambas as premissas e elas requerem argumentos bastante diferentes (porquê?). E útil formulá-los clara e separadamente desde o início.
Anthony Weston, A arte de argumentar
quarta-feira, outubro 09, 2019
A filosofia como ciência ainda por amadurecer
segunda-feira, outubro 07, 2019
Da dúvida
Foto de Nana Sousa Dias
Jean-Jacques Rousseau, L’Émile ou de l’éducation, Flammarion,1966, Paris pág.347 e348
domingo, setembro 15, 2019
Início do ano!!
Desejo a todos um BOM ANO e deixo-vos com uma ideia grandiosa. "É proíbido proíbir!" dedico-lhe esta página porque seria belo um mundo onde as boas ideias não fossem só slogans para vender sapatos e votos.
sábado, setembro 14, 2019
O Conhecimento não é só uma crença verdadeira.

(…)
Teeteto: A de que a crença verdadeira é conhecimento? Certamente que a crença verdadeira é infalível e tudo o que dela resulta é belo e bom.
(…)
Sócrates: O problema não exige um estudo prolongado, pois há uma profissão que mostra bem como a crença verdadeira não é conhecimento.
Teeteto: Como é possível? Que profissão é essa?
Sócrates: A desses modelos de sabedoria a que se dá o nome de oradores e advogados. Tais indivíduos, com a sua arte, produzem convicção, não ensinando mas fazendo as pessoas acreditar no que quer que seja que eles queiram que elas acreditem. Ou julgas tu que há mestres tão habilidosos que, no pouco tempo concebido pela clepsidra sejam capazes de ensinar devidamente a verdade acerca de um roubo ou qualquer outro crime a ouvintes que não foram testemunhas?
Teeteto: Não creio, de forma nenhuma. Eles não fazem senão persuadi-los.
Sócrates: Mas para ti persuadir alguém não será levá-lo a acreditar em algo?
Teeteto: Sem dúvida.
Sócrates: Então, quando há juízes que se acham justamente persuadidos de factos que só uma testemunha ocular pode saber e mais ninguém, não é verdade que ao julgarem esses factos por ouvir dizer, depois de terem formado deles uma crença verdadeira, pronunciam um juízo desprovido de conhecimento, embora tendo uma convicção justa e dando uma sentença correcta?
Teeteto: Com certeza.
Sócrates: Mas, meu amigo, se a crença verdadeira e o conhecimento fossem a mesma coisa, os melhores juízes não podiam ter uma crença verdadeira sem ter conhecimento.
Teeteto: Eu mesmo já ouvi alguém fazer essa distinção, Sócrates; tinha-me esquecido dela, mas voltei a lembrar-me. Dizia essa pessoa que a crença verdadeira acompanhada de razão (logos) é conhecimento e desprovida de razão (logos), não.”
Platão, Teeteto, 201 ac
segunda-feira, agosto 26, 2019
Sobre a natureza alegre da filosofia
O que acontece no nosso século é coisa digna de fixar a atenção; a filosofia constitui, mesmo para as pessoas de maior capacidade, uma ciência quimérica e vã, que carece de aplicação e valor, tanto na teoria como na prática. Entendo que a causa de tal desdém são os ergotistas ( os que têm por hábito argumentar por silogismos) que se postaram nas suas avenidas e as disfarçaram e adulteraram. É grande erro apresentar como inacessíveis às crianças as verdades da filosofia, considerando-as com dureza e severidade terríveis; quem ousou disfarçá-las com aparências tão distantes da verdade, com rosto tão austero e tão odioso? pelo contrário, nada há mais alegre divertido, jovial, e até, ouso dizer, galhofeiro. A filosofia só apregoa festa e tempo aprazível; uma face triste e transida expressa a ausência de filosofia.
(...) A alma que alberga a filosofia deve, para a cabal saúde daquela, ter a matéria sã; a filosofia tem de mostrar mesmo exteriormente o repouso e o bem estar; deve formar à sua semelhança, o porte externo e procurar, por conseguinte, uma dignidade agradável, um aspecto activo e alegre e um semblante contente e benigno. O testemunho mais seguro da sabedoria é um gozo interior constante; o seu estado, como o das coisas superlunares, jamais deixa de ser a serenidade e a calma. (...) A filosofia, cuja missão é serenar as tempestades da alma, ensinar a resistir às febres e à fome com fisionomia serena, sem se valer de princípios imaginários, mas de razões naturais e palpáveis, tem a virtude por objectivo, a qual está, como assegura a escola, colocada no cume de um monte escarpado e inacessível; os que a viram de perto, consideram-na pelo contrário, situada no alto de uma formosa planície, fértil e florescente, sob a qual contempla todas as coisas.
Montaigne, Ensaios, Ed Amigos dos livros, Lx,p.126,127
Foto de Nana Sousa Dias
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