sábado, janeiro 26, 2019
Ações contra o nosso melhor julgamento
sábado, janeiro 12, 2019
Ação
quinta-feira, janeiro 03, 2019
Razão e moral: uma ligação não necessária.
sexta-feira, dezembro 21, 2018
Viver sem certeza
Gerald Bloncourt (Haiti, 1926/2018), criança com boneca, França, Bidonville
Bertrand Russell, História da Filosofia Ocidental,(1946) Relogio D’água, 2017, p. 13,14
terça-feira, dezembro 04, 2018
Futuro da humanidade depende das árvores, a “verdadeira fábrica do solo” .
Há mais de 40 anos, Jean-Philippe Beau-Douëzy, ecologista e
engenheiro consultor na área do ambiente, iniciou-se naquela que viria a
ser a sua luta pela conservação da natureza. Hoje, quer continuar a
plantar árvores nativas porque diz serem o futuro da humanidade. Há 11
anos que trabalha na Fundação Yves Rocher, em França, onde é
administrador do programa Plant for the Planet que consiste na plantação
de 100 milhões de árvores em vários continentes com o objectivo de
combater a erosão do solo, a perda de biodiversidade e recursos hídricos
e para ajudar a agricultura local.
Jean-Philippe Beau-Douëzy, que esteve recentemente no Porto,
já percorreu vários pontos do planeta. Passou pelo Sara, pelo
Mediterrâneo, mas foi na Amazónia brasileira – onde chegou a ser
baptizado por índios – que ganhou um novo pressuposto: o de lutar pela
sua conservação. Em 1992, participou na Cimeira da Terra no Rio de
Janeiro, mas, antes disso, em 1978, já organizava um dos primeiros
simpósios com o tema Invenção Social e Ecologia Urbana, conceitos de que
tanto se fala hoje em dia.
Que questões se discutiam em 1978 e que ligação têm hoje com
as preocupações sobre a sustentabilidade e a eficiência das cidades?
Interessante que a conversa é a mesma. As questões são as mesmas,
mudou a situação, que piorou. Por exemplo, naquela época a situação do
mar não era a de hoje, não tinha tanto lixo. A situação na Amazónia não
estava como hoje, estava muito menos desmatada, claramente. Também a
biodiversidade não tinha a loucura de desaparecimento de hoje. As
questões não mudaram, são as mesmas: o consumo de energia, o lixo. Por
isso, o importante é fazer e não discutir. Não é preciso falar mais, tem
que se fazer. Temos muitas áreas degradadas, muita terra degradada.
Como se aplica a todo o planeta uma política capaz de gerir e conservar o ambiente?
A
questão não é política, a questão são as pessoas. A real pergunta é:
será que as pessoas, hoje em dia, são capazes de entender que têm que
plantar uma árvore? Se cada humano neste planeta for plantar uma árvore
já vai mudar alguma coisa. Os políticos só falam e acabou. A
responsabilidade é de todos nós. Cada um pode fazer e tem de fazer.
Nesse contexto, até que ponto temos de mudar a forma como vivemos?
Vamos
ter de mudar e de nos adaptar com certeza. Especialmente no ocidente,
onde temos um gasto enorme e temos, sempre, um consumo incrível. Há dois
lados que têm de mudar: consumir menos e melhor e mais produtos locais.
O comércio local deve ser apoiado.
Já reparei que em Portugal há
muito a tradição de ter uma horta em casa – isso é muito bom e tem de
continuar, é um bom caminho. Em França as hortas desapareceram. As
pessoas compram verduras, até as biológicas, no supermercado. Isso é um
absurdo. As verduras que se encontram no supermercado fizeram mil ou
dois mil quilómetros para lá chegar e isso é um gasto brutal para o
ambiente.
Entre todas as problemáticas ambientais, qual é a que mais lhe interessa? Porquê?
Sabemos
que as mudanças climáticas existem e que têm efeitos na corrente do
Golfo, efeitos visíveis. Estas mudanças climáticas e outras actividades
humanas têm um efeito incrível na qualidade do solo, da terra, mas nós
precisamos dela para nos alimentar.
Temos perdido muita terra por
causa da erosão e da salinização dos solos e o que pode proteger e
reconstituir a terra são as árvores. Elas são a verdadeira fábrica do
solo. Hoje, continuamos a fazer a desflorestação e a monocultura da
plantação de árvores – o que não presta, nenhuma das duas. Nenhum dos
casos vai ajudar e ainda piora se usarmos árvores como pinheiros ou
eucaliptos. As folhas do eucalipto têm um processo de decomposição muito
lento e vão deixar a terra em más condições a longo prazo. Devem ser
plantadas árvores nativas porque estão adaptadas ao solo. É preciso
plantar uma árvore no coração das pessoas.
Acha que a tecnologia vai alguma vez conseguir vencer tudo aquilo que as árvores nativas fazem pelo nosso planeta?
A solução não é a tecnologia. A tecnologia está na moda e parece que
vamos consertar a natureza com a tecnologia. Só que a única coisa que
conseguimos fazer com a tecnologia foi acabar com muito do ambiente.
Ainda temos muito a aprender com a natureza. Isto não quer dizer que a
tecnologia não possa ajudar, mas a primeira coisa é estudar. Ainda não
estudámos todos os pontos de como funciona uma floresta. As árvores são
capazes de fotossíntese e nós não conseguimos replicar isso com
tecnologia, até agora. Fazemos painéis solares muito poluentes, com
muitos gastos. Não há comparação com o que faz a natureza. Além disso, é
preciso perceber que o que é mais barato para parar o CO2 [dióxido de
carbono] são as árvores.
O factor económico também é, por isso, importante?
Hoje
em dia também tem de se considerar esse ponto. Mas não podemos pensar
que vai ser só crescimento económico. Por exemplo, os eucaliptos têm uma
saída económica muito fácil que é o fabrico de papel. Mas, a longo
prazo, será que necessitamos de mais papel? Temos tanto papel no planeta
que podemos reciclar. Os eucaliptos não vão conservar o solo e é
preciso ver se há outras culturas que se possam encaixar de um ponto de
vista mais ecológico.
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segunda-feira, dezembro 03, 2018
Morreu o filósofo e professor de Filosofia Fernando Belo
Uma entrevista em Colares 2011
Conheci-o. Recebia-me num gabinete no primeiro andar da Faculdade de Letras. Era rigoroso e um pouco ausente. Mandou-me reescrever o primeiro capítulo da minha primeira tese de mestrado. Bem, porque era uma algraviada ininteligível, mas depois de escrever 300 páginas sobre Michel FGoucault disse-lhe que não prosseguia. E assim foi o meu pequeno encontro com Fernando Belo.
quinta-feira, novembro 15, 2018
Dia da Filosofia
Este texto de Arendt alerta-nos para uma situação que pressentimos ser perigosa mas que caminha indelével e silenciosa sem o nosso consentimento que esquecemos de dar ou estamos preocupados em fazer sem verdadeiramente dizer, olhar e ver. A Filosofia nada é se não for atenta à realidade situada e vivida. Leis abstratas e lógicas são exercicício como ir ao ginásio da mente mas não conferem mais realidade ao que nos afecta nem ajudam a vontade a encontrar os outros para com eles encetar um diálogo, um diálogo que nos chama mas que, ao mesmo tempo, nos entedia de morte, como se estivessemos todos cansados de palavras. As palavras só ganham força se representarem uma vontade colectiva e não apenas uma vontade individual. Se nada mais nas palavras puder ecoar dentro de nós como um bálsamo ou um hino ou um clarim, então que nos deixemos ficar pobres e a elas renunciemos, renunciaremos ao que nos faz ser, ao mais humano, no sentido bom, isto é, criador de paz e de possíveis.
segunda-feira, outubro 22, 2018
Dualismo
"O dualismo é a perspectiva segundo a qual és composto por um corpo e por uma alma e a tua vida mental se desenrola na tua alma. O fisicalismo é a perspectiva segundo a qual a tua vida mental consiste em processos físicos no teu cérebro. Contudo, outra possibilidade é a de a tua vida mental se desenrolar no teu cérebro, mas todas essas experiências, sentimentos, pensamentos e desejos não serem processos físicos no teu cérebro, o que equivaleria a dizer que a massa cinzenta de milhares de milhões de células nervosas no teu crânio não é apenas um objecto físico. Tem muitas propriedades físicas - desenrolam-se nele grandes quantidades de actividade química e eléctrica - mas também tem processos mentais. (...) A perspectiva de que o cérebro é o lugar da consciência mas que os seus estados conscientes não são apenas estados cerebrais, é designada por teoria do aspecto dual. Chama-se assim porque significa que quando comes um chocolate se produz um estado ou um processo no teu cérebro com dois aspectos: um aspecto físico, que envolve diversas transformações químicas e eléctricas, e um aspecto mental- a experiência do sabor do chocolate. Quando este processo ocorre, um cientista que olhe para o teu cérebro será capaz de observar o aspecto físico, mas tu próprio passarás, interiormente, pelo processo mental: terás a sensação de saborear chocolate. Se isto for verdade, o teu cérebro terá um interior que não poderá ser alcançado por um observador exterior, mesmo que o abra. Ao comeres um chocolate, existiria um aspeto mental do processo cerebral que seria a tua própria sensação. (...)"
Thomas Nagel, Que Quer dizer tudo isto?, Gradiva, pag 34-35;
quinta-feira, outubro 04, 2018
Será possível o conhecimento "a priori"?
Na "A Crítica da Razão Pura" Immanuel Kant aborda alguns aspectos do conhecimento e distingue-os, ainda que esta distinção seja feita "mediante uma longa prática que nos habilite a separar esses dois elementos." e os elementos do conhecimento a que Kant se refere são o "a priori" e "a posteriori".
Assim inicia Kant, "No tempo, nenhum conhecimento precede a experiência, todos começam por ela." Demonstrando que todo conhecimento se inicia com a experiência, porém não é porque se iniciou com a experiência que dela deve depender, pois "Consideraremos, portanto, conhecimento “a priori”, todo aquele que seja adquirido independentemente de qualquer experiência. A ele se opõem os empíricos, isto é, áqueles que só o são “a posteriori”, quer dizer, por meio da experiência." Desta forma, o conhecimento "a priori" mesmo tendo origem na experiência, não é dependente dela, Kant aborda o assunto dizendo que "[...] daqui por diante, [...] conhecimento “a priori”, são todos aqueles que são absolutamente independentes da experiência; eles são opostos aos empíricos, isto é, àqueles que só são possíveis mediante a experiência."
Desta forma o conhecimento "a priori" faz parte da razão pura, e é universal e necessário, como por exemplo: "O triângulo possui três lados." Esta frase faz-nos entender que em qualquer lugar do universo e em qualquer circunstâncias o triângulo possui três lados, assim como: "Todo solteiro é não casado"; "todo corpo possui massa", ou seja, são casos universais e necessários, sendo o que são em qualquer lugar.
Já o conhecimento "a posteriori" é contingente (pode ou não pode ser), pois depende do fenómeno empírico para ser o que é, dependente da experiência e dela originado, enquanto o conhecimento "a priori" é originado na experiência, mas não dependente dela.
A separação entre estes dois conhecimentos, um "a priori" (originado na experiência, mas não dependente dela) e um "a posteriori" (que é a própria experiência agindo). "Surge desse modo uma questão que não se pode resolver à primeira vista: será possível um conhecimento independente da experiência e das impressões dos sentidos?"
Lembrando que os conhecimentos "a priori" e "a posteriori" servem apenas para conhecimento das coisas que estão no âmbito da física e não metafísica, e ainda que não possamos conhecer as coisas como são em si, mas apenas como aparecem para nós.
Fonte: KANT, Immanuel. A Crítica da Razão Pura. Introdução.
O artigo pode ser consultado AQUI
sábado, setembro 29, 2018
O que é a Filosofia? 3 respostas
segunda-feira, setembro 17, 2018
sexta-feira, julho 27, 2018
Sobre a piedade
Condorcet, Cinq mémoires sur l’instruction publique (1791) p. 59
Tradução Helena Serrão
sexta-feira, julho 20, 2018
quinta-feira, julho 19, 2018
As aprendizagens essenciais
Chamam-lhe "As aprendizagens essenciais da Filosofia" A sociedade Portuguesa de Filosofia organizou e escolheu, penso eu, e os professores que o fizeram penso que são do conhecimento de todos. O que eu acho, é a minha opinião de professora com 30 anos de ensino, é que esses professores têm todos a mesma filiação analítica, não espelham a diversidade pedagógica da Filosofia e estão a confinar a Filosofia a um feudo demasiado restrito e redutor que não é de todo interessante ou formador para os alunos. De facto, a Lógica e a análise das proposições, não são o instrumento essencial e único da Filosofia, nem é correto reduzir os conteúdos a uma forma de teoria/argumento/objeção; a História é tão fundamental como a Lógica, ou a Hermenêutica, a Fenomenologia ou a Filologia. Este programa faz de conta que essas áreas de análise não existem, passa uma esponja e formata, isto é, faz o contrário do que deve ser uma abordagem ao pensamento filosófico. Não estou sozinha neste meu credo, mas não percebo porque não se discute de forma ampla estes assuntos e se apresenta um novo programa deste modo.
Helena Serrão
segunda-feira, julho 16, 2018
terça-feira, julho 10, 2018
Radicalismos 5
Santo Agostinho, A cidade de Deus, Lisboa. Fundação Calouste Gulbenkian, Livro I, p.185
Tradução Dias Pereira
Ora Agostinho considera o Teatro perverso, ora ele é realizado a pedido e como oferenda a uma divindade, logo, a divindade é perversa. Aqui há um juízo de valor que se fundamenta numa crença prévia. O teatro é perverso porquê? Porque não é uma oferenda ao Deus Único? Porque não tem como fim a sua exaltação?










